É um gênero da família Furnariidae da ordem Passeriforme.
Muitas espécies de furnarídeos são terrestres e locomovem-se no solo ou no substrato; outras habitam uma paisagem árida composta por cactáceas; as capoeiras, os campos de altitude, as matas fechadas e os pastos são também paisagens comuns para essas aves (SCHAUENSEE, 1982). Muito embora exista uma grande variedade de paisagens neotropicais com ocorrência de furnariídeos, Sick (1997) definiu três tipos básicos de hábitats para essas aves: matas e brenhas, campos desprovidos de vegetação mais alta e pantanais. Ocorrem a partir do nível do mar até altas altitudes andinas (RIDGELY; TUDOR, 1994).
A alimentação é basicamente insetívora, mas outros artrópodes, moluscos e invertebrados em geral também fazem parte de sua dieta (SCHUBART et al., 1965).
Muito importante para os furnariídeos é a forma do ninho, típico a cada gênero, o que permite fazer conclusões taxonômicas. A construção do ninho é um dos caracteres taxonômicos mais conservativos neste grupo, de tal forma que são importantes para estabelecer relações filogenéticas entre os seus gêneros (SICK, 1997). Este autor classificou nove tipos de ninhos entre os Furnariidae.
O uí-pi é uma ave de tons gerais castanho acinzentado, com os encontros marrons-avermelhados, uma coroa cinza na testa, alto da cabeça também marrom-avermelhado. Possui a cauda marrom e também uma mancha preta na base da garganta. Sick menciona que, ao cantar, ele infla sua garganta revelando o preto das penas da base.
Vive nos campos, cerrados, pastos, campos cerrados, capoeiras secas e campinaranas.
Emite o canto, o dissilábico “uí-pi”, insistentemente enquanto saltita apressadamente por entre a vegetação arbustiva.
Ocorre em todas as regiões brasileiras.
O joão-de-peito-escuro mede 16 centímetros. Lembra o uí-pi(Synallaxis albescens) do Brasil Oriental, mas apresenta as partes inferiores do corpo mais escuras exceto pela mancha branca na garganta.
Vocaliza um “pui-pe-re-re” com o mesmo timbre do joão-teneném(Synallaxis spixi) embora ambas apresentem distribuição alopátrica(com isolamento geográfico).
Habita áreas de campinarana, sobretudo em ilhas fluviais e bordas de formações ripárias ribeirinhas.
Ocorre nas margens do Rio Solimões.
O joão-do-pantanal é residente tropical; vive aos pares; são monogâmicos.
O ninho de S. albilora é semelhante a uma retorta, sendo construído com gravetos e forrado com folhas. O seu exterior é constituído de gravetos maiores e espinhos.
O joão-do-pantanal é uma ave comum no sub-bosque de florestas semi-decíduas, florestas de galerias e densas formações arbustivas nas margens de corpos hídricos.
Distribui-se pelo sudoeste do Brasil, leste da Bolívia e norte do Paraguai, sendo restrito a áreas alagáveis. Embora a espécie tenha uma área restrita, ela não é considerada ameaçada e é muito numerosa no Pantanal.
Não há registro dessa espécie no site
O joão-do-norte mede 17 centímetros. Apresenta píleo, asas e cauda curta ferrugíneos.
Vive em meio a um emaranhado de vegetação em áreas tomadas por bambuzais em bordas de matas ripárias ribeirinhas.
Apresenta ampla distribuição nos Andes. No Brasil, está restrito ao extremo norte do Mato Grosso, próximo à localidade de Alta Floresta.
Não há registro dessa espécie no site
O puruchém mede 14 centímetros. Difere de joão-teneném-castanho(Synallaxis rutilans) pela garganta sem preto algum, pelas asas negras e por coberteiras superiores castanhas.
Vocaliza um dissilábico “ti-cui”.
Vive em florestas secundárias, principalmente em bambuzais dominados por Gradua sp..
Ocorre na Amazônia centro-oriental.
O pi-puí mede 15 centímetros. Difere pelo píleo sem castanho algum e pela garganta branca e preta, asa e cauda ferrugíneas.
Vocaliza um dissilábico “uit-biti” ou um trissilábico “ruiti-bu-beiti”.
Vive em matas secas e úmidas até 1.150m de altitude.
É uma espécie com distribuição nas regiões Sudeste e Sul do Brasil(de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul).
Synallaxis whitneyi é sinônimo de Synallaxis cinerea.
O joão-baiano mede 15 centímetros. Apresenta a plumagem das partes inferiores cinzenta, semelhante ao pichororé(Synallaxis ruficapilla) e ao tatac(Synallaxis infuscata]).
Vive em florestas montanas entre 500 e 1000m de altitude. Em pares ou famílias, forrageiam acompanhando bandos mistos, principalmente no sub-bosque.
A extração contínua de madeira em seu habitat ameaça a sobrevivência dessa espécie. Endemismo ameaçado do sudeste da Bahia.
O petrim destaca-se pelo marrom avermelhado do alto da cabeça, asas e cauda, fazendo contraste com o marrom oliváceo do corpo. Área ventral cinza clara. Entre o bico e o alto da cabeça avermelhado está outra marca registrada da espécie, a testa marrom oliváceo. Uma listra superciliar mais clara aparece em boas condições de luz, bem como os olhos amarelo alaranjados, circundados por algumas penas cinzas mais claras.
Vive em casais no meio dos arbustos dos cerrados, cerradões e matas secas. Aparece nas partes sempre secas da mata ciliar.
Como outros furnarídeos, o casal usa o ninho durante boa parte do ano, seja para reprodução, seja para dormida. Mantém contato com chamados baixos e no período reprodutivo (julho a dezembro) emitem seu chamado alto, traduzido pelos nomes comuns. São duas notas, a segunda mais alta, sendo o canto repetido continuamente, em especial no começo da manhã.
Ocorre por todo o Brasil, exceto na Amazônia.
O joão-teneném-becuá mede 16,5 cm de comprimento. Apresenta plumagem uniforme, tendo apenas as asas levemente tingidas de castanho.
Vocaliza um dissilábico “fi-cuí”, semelhante ao joão-do-pantanal(Synallaxis albilora), ao qual subsitui na Amazônia.
É comum no sub-bosque de florestas de várzea, vegetação pioneira de margens e ilhas fluviais, bordas de florestas, beiras de estradas e brejos. Vive aos pares.
Amazônia brasileira, principalmente ao sul do Rio Amazonas, estando ao norte deste apenas em Roraima, no Amapá e numa estreita faixa que acompanha sua margem. Encontrado também nos demais países amazônicos: Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
O joão-grilo mede 16 centímetros. Assemelha-se ao joão-teneném(Synallaxis spixi), mas tem a asa toda ferrugínea, boné avermelhado e a testa cinza.
O canto consiste numa sequência de piados tremulantes, que lembram certos grilos, daí seu nome vulgar.
Vive aos pares em campinas alagadas, campos cerrados e carrascais próximo à água.
Ocorre no Nordeste e no Brasil Central, em formações ripárias ribeirinhas em certos pontos da Amazônia.
O tatac mede 18 centímetros. Apresenta plumagem predominantemente cinza e escura, com capuz, asas e caudas ferrugíneas.
Seu canto dissilábico é ouvido como um “ta-tac”.
Habita bordas de matas úmidas. Endemismo ameaçado do Nordeste. A espécie sofre com a destruição da Mata Atlântica residual de Alagoas e Pernambuco.
O joão-de-barba-grisalha mede 16 centímetros. Emite um chamado dissilábico e distingui-se de outras espécies pelo colorido da garganta e plumagem do corpo em tons ferrugíneos.
Seu habitat parece restrito à floresta densa. Embora possa ser encontrando em região pantanosa, sobre uma vegetação um pouco mais aberta e menos espessa.
Tem uma escala muito pequena ao longo do rio Branco e outros rios no norte extremo do Brasil e na fronteira com a Guiana. Sabe-se somente de seis locais e é classificado atualmente como em perigo pela Birdlife Internacional.
Não há registro dessa espécie no site
O joão-escuro mede 15 centímetros. Apresenta boné, asas e ferrugíneas e as demais partes do corpo marrom fuligem uniforme.
Ocorre nas serras altas entre 1000 e 1900m de altitude ou eventualmente em altitudes mais baixas.
Ocorre nos estados do Amapá, Roraima e Amazonas.
O joão-de-barriga-branca mede 16 cm de comprimento. Pode ser sintópico com o joão-teneném-becuá do qual difere pela garganta preta e plumagem mais clara. Seu canto consiste numa sequência de ruídos ásperos.
Vive em campinaranas alagáveis, dominadas por gramíneas altas do gênero Gynerium, à beira de rios e ilhas fluviais.
Ocorre em pontos isolados do Pará, Amapá, Amazonas e Rondônia. Também ocorre no Peru e Bolívia.
O pichororé mede aproximadamente 16cm. De boné, asa e também cauda castanho-escuros. Atrás do olho uma distinta estria amarelada, que falta nos indivíduos imaturos, assim como o castanho da asa.
Vive nas brenhas internas e na orla da mata.
Seu ninho é um amontoado denso e comprido de gravetos e quase sempre com peles de cobras e lagartos, com entrada superior.
Ocorre no Brasil Oriental, regiões montanhosas no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Rio Grande do Sul, Argentina e Paraguai.
O joão-teneném-castanho mede cerca de 15 cm de comprimento. Busca insetos entre as folhas mortas e emaranhados de cipós, no chão ou próximo a este.
Habita o estrato inferior de florestas de terra firme, geralmente em pequenas clareiras originadas de quedas de árvores. Vive normalmente aos pares.
Toda a Amazônia brasileira e nos demais países amazônicos: Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
A estrelinha-preta mede 14 centímetros. Apresenta plumagem em tons ferrugíneos e a borda das asas amarronzada.
Emite um prolongado e dissilábico “uí-puííí”.
Habita matas cerradas baixas de até 1700m de altitude.
Ocorre no Brasil Central e no Nordeste.
O dorso do joão-do-araguaia é castanho-ferruginoso, enquanto que o dorso do joão-do-pantanal(Synallaxis albilora) é pardo escuro, não contrastando com a cabeça. O canto territorial de Synallaxis simoni é composto de uma única nota descendente, repetida incessantemente.
Os ninhos apresentam formato de retorta, com túnel de acesso lateral, eram constituídos de uma massa de gravetos roliços, bastante semelhantes àqueles construídos por vários outros congêneres.
O ambiente preferencial de ocorrência da espécie é denominado localmente de “saranzal”, uma vegetação arbustiva densa.
Considerado endêmico da bacia do Araguaia com distribuição restrita a sua porção média, é substituído por seu congênere amazônico, joão-teneném-becuá(Synallaxis gujanensis) mais ao norte.
O joão-teneném com apenas 16 centímetros e pesando 14 gramas. Possui cor ferrugem no alto da cabeça e nas asas; sua cauda é comprida, graduada com cor amarronzada. As bases das penas cinzentas da garganta são pretas. As costas e partes inferiores do corpo são pardo-oliváceas. O João-teneném jovem não tem a cor ferrugem na cabeça e nas asas.
É facilmente reconhecido pelo seu canto - “bentereré, bentereré…”, lembrando “joão-teneném”, emitida várias vezes.
Seu ninho é um amontoado denso e comprido de gravetos, com acesso lateral, construído no interior de moitas. Põe até três ovos de cor clara suja.
Habita campos e áreas arbustivas, bordas de florestas, campos de altitude e áreas próximas a habitações. Costuma pular ou esgueirar-se em meio à vegetação mais densa, empoleirando-se em locais abertos apenas para cantar.
Ocorre de Minas Gerais e Espírito Santo até o Rio Grande do Sul.